Nota de apoio ao Museu Nacional

Neste momento no qual o Museu Nacional da Quinta da Boa Vista luta para se reerguer, com os esforços de seus servidores técnico-administrativos, professores, pesquisadores e alunos para a sua reconstrução, prestamos nossa solidariedade ao MN e afirmamos que estamos dispostos a colaborar nesta luta. Em razão das falsas notícias vinculadas recentemente nas mídias, culpando a administração universitária pela tragédia, assim como pela possibilidade postulada pelo governo Temer de desvincular o MN da UFRJ, reiteramos nosso apoio ao MN e afirmamos que somos a favor de que o museu continue vinculado à UFRJ, pois além de este ser uma instituição de guarda de acervos, é uma unidade da UFRJ onde se desenvolve pesquisa, ensino e extensão de excelente qualidade, que não pode ser submetida a uma outra instituição, o que contraria a autonomia universitária. Portanto, dizemos NÃO à criminalização da UFRJ e SIM em defesa do Museu Nacional e da universidade pública!

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Nota de pesar

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O Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, um dos maiores centros de pesquisa da América Latina, foi consumido pelas chamas ontem à noite, neste ano em que completou duzentos anos de existência. Nessa trajetória de vida deu origem a muitas descobertas e pesquisas, imprescindíveis à ciência brasileira. O Palácio São Cristóvão serviu de moradia à família real portuguesa de 1808 a 1821 e à família imperial brasileira de 1822 a 1889. Tornou-se museu em 1892, quando o Museu Real, fundado por D. João VI em 1818, foi transferido do Campo de Santana para São Cristóvão. O Museu foi incorporado à Universidade do Brasil, futura UFRJ, em 1946. De valor histórico inestimável, pelo prédio e pelo seu acervo, constituído por mais de 20 milhões de itens, era reconhecido internacionalmente.
Causa revolta e tristeza constatarmos o total desprezo dos governantes em relação ao patrimônio histórico brasileiro, cujo descaso culminou em incidentes como este do Museu Nacional, cuja perda é irreparável. Um acervo riquíssimo constituído, entre outros artefatos, por fósseis de dinossauros, da nossa primeira brasileira, Luzia, de artefatos arqueológicos do Brasil, da América pré-colombiana e do mundo, como a coleção de Pompeia da imperatriz Teresa Cristina, foi perdido da noite para o dia. O Museu Nacional possuía cerca de 700 peças egípcias, adquiridas na época imperial, sendo um importante centro de egiptologia na América Latina.
Solidarizamo-nos com professores, técnicos, funcionários e estudantes do Museu Nacional neste momento de imenso pesar. E sabemos que muitos, embora abatidos pela tragédia, seguem trabalhando com afinco na tentativa de recuperar o que for possível do acervo, motivo da pesquisa e do trabalho de vida de muitos pesquisadores.

Marcia Severina Vasques.